Caixa 2

03 agosto 2009

– Hey, senhora. O caixa ao lado está mais vazio. Por que a senhora não vai nele?
– Oh... Sim... Muito obrigada. - A velhinha aninha os pacotes de papel higiênio e corega tabs nos braços, e sái do seu lugar na fila rumo ao caixa vazio e...
– Desculpa, vovó! Já fechou!
– Mas a moça do caixa ao lado disse que...
– Não posso fazer nada! O horário desse caixa já está encerrado. Volte para o anterior.
A velhinha volta para o caixa em que estava antes sem se abater. Umas cinco ou seis pessoas com carrinhos abarrotados de compras já haviam tomado seu lugar naquela fila, mas paciência é uma virtude, pensara.
– A senhora tem o cartão de fidelidade do supermecado? - Pergunta a funcionário com aquela típica voz irritante e automática.
– Tenho sim, minha filha... Qual dos quinze?
– Perdão?
– Sim, pois vocês devem achar que faço coleção... Há cada duas semanas chega um novo em minha casa.... Isso... Isso é algum tipo de promoção? Quando eu juntar trinta desses eu poderei trocar por uma frigideira anti-aderente?
– Passe depois no Relacionamento ao Consumidor para resolver isso, sim? Mais alguma coisa Onze e cinquenta e oito! (Sim, eles falam assim mesmo, transformando a pergunta e a afirmação numa oração única).
– Só um minutinho... Vou contar as balinhas. - A velha retira um pacotão de balas de diversos sabores e validades da bolsa e coloca sobre o balcão.
– O que... O que é isso que a senhora está fazendo??
– Pagando minha conta, filha. Se vocês me pagam em balas todos os dias que venho aqui, que mal tem em inverter um pouquinho esse processo? Onze e cinquenta e cinco, onze e cinquenta e sete, onze e cinquenta e oito. Aqui está.
– Mas a senhora não pode...
– E na próxima vez, tentem me dar o troco com algo que não seja agressivo ao meu diabetes. Obrigada pela preferência, tchau.

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